Deus Não Fará por Meus Filhos Menos do Que Eu o Faria

Família conversando com o líder da estaca
Élder Marcos A. Aidukaitis


Uma de minhas lembranças mais antigas é de quando eu ajudava meu pai na ampliação de nossa casa em Porto Alegre. Acho que eu tinha cinco ou seis anos, ou algo assim. Provavelmente mais atrapalhei do que ajudei, mas lembro de quanto meu pai ficava feliz com minha ajuda quando eu carregava carrinhos cheios de terra de um lugar para outro, entre outras coisas. Ainda me lembro de serem pesados os carrinhos de terra, mas agora imagino se estavam realmente cheios.

Naquela época morávamos numa rua que ficava no fim da cidade. Depois de nossa rua, havia um campo desocupado, seguido por um matagal e um morro logo atrás. O ônibus que pegávamos para ir à igreja passava numa rua de terra na frente de nossa casa e levantava uma forte poeira, que alguns vizinhos tentavam diminuir molhando a rua de tempos em tempos. Como o ônibus demorava muito, às vezes íamos de bonde, o que era muito mais divertido, mas aí era necessária uma pequena caminhada.

Nunca passara pela minha cabeça que éramos pobres, mas talvez fôssemos.

Meu pai trabalhava numa usina de geração de energia na cidade, e era trabalho pesado. Por mais que ele lavasse as mãos, eu sempre podia notar que havia sujeira de carvão debaixo das unhas dele. Mas a lembrança mais marcante é a de minha mãe saindo de casa carregando uma sacola grande, cheia e pesada, desses produtos que são vendidos de porta em porta ou em reuniões em casa. Confesso que não gostava quando ela me pedia ajuda para levar essa sacola até a parada do ônibus ou do bonde. Eu já era maiorzinho, mas mesmo assim a sacola era pesada.

Apesar de nossa vida modesta, vejo como éramos abençoados de muitas maneiras, pois nunca faltara nada e ainda sobrara para ajudar outros.
Atrevo-me a dizer que as bênçãos de natureza espiritual foram ainda muito maiores. Compreendo que foi assim porque Deus cumpriu com Sua promessa de abençoar os que pagam seus dízimos e suas ofertas. Ele disse: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes” (Malaquias 3:10; grifo do autor).

Numa ocasião meu pai e minha mãe me explicaram sobre as ofertas de jejum e sobre como os bispos ajudavam os membros necessitados da Igreja com esses recursos até que não fosse mais necessário, ou seja, até que eles fossem autossuficientes nesse aspecto. Então, meu pai disse com muita satisfação que nunca havia necessitado desse tipo de ajuda.

Aquela conversa marcou minha vida. Decidi que também trabalharia duro e seria capaz de cuidar de mim mesmo e de minha família com meu   trabalho e esforço, sem jamais precisar de ajuda dos fundos de jejum. Deus me abençoou com muito mais do que isso.

É claro que os necessitados serão ajudados à maneira do Senhor pelos bispos da Igreja, e não há nenhuma vergonha nisso, mas meu pai, que certamente compreendia que era pobre, enchia-se de orgulho de nunca haver tido necessidade dessa ajuda. Agora ensino para meus filhos que pagar dízimos íntegros e fazer ofertas generosas dentro de sua capacidade é um mandamento de Deus.

Como todo pai, espero sempre poder estar ao lado de meus filhos para ajudá-los no caso de necessidade. Acho que todo pai e toda mãe que amem seus filhos gostariam de poder fazer o mesmo. Entretanto, imagino que morrerei antes deles. Esse é o curso natural da vida, por isso ensino a meus filhos a guardar a lei do dízimo e a ser generosos em suas ofertas. Pois sei que, se eles cumprirem com esse mandamento, mesmo que um dia passem por dificuldades e eu não esteja mais aqui na Terra para ajudá-los, Deus não fará por eles menos do que eu o faria.

Gosto da lei do dízimo. Noto com clareza que é uma lei de amor dada por um Pai misericordioso, sedento de ajudar Seus filhos. Quem tem fé em Deus e em Suas promessas cumpre com a lei do dízimo. Quem não cumpre com essa lei é porque certamente imagina que tem mais a perder do que a ganhar quando faz suas ofertas.

Espero que meus filhos jamais percam sua fé de que Deus cumpre com as promessas que Ele faz quando cumprimos com Seus mandamentos (ver D&C 82:10) e jamais deixem de pagar seus dízimos e suas ofertas generosas. Convido todos vocês a fazer o mesmo. Presto meu testemunho pessoal de que Deus cumpre com as promessas que Ele faz quando cumprimos com Seus mandamentos. Ele realmente abre as janelas do céu aos que pagam os dízimos e são generosos com as ofertas. Em nome de Jesus Cristo, amém.


O Élder Aidukaitis é o segundo conselheiro na Presidência da Área Brasil.